- Alô
- Oi mãe!
- Oi minha filha, tudo bem?
- Estou bem e você?
- Também.
- O Vinícius está cada vez mais danado, você precisa ver. Passei o fim de semana com ele e seu irmão.
- Legal, o mano ficou de me enviar as fotos da festa junina na escolinha dele. Alguma novidade?
- Sim, resolvi vender a casa.
(silêncio) apesar de esperar isso há anos, aquela frase me assustou. Como assim? Ela está falando da casa onde nasci, cresci e guardo tantas lembranças. Onde ainda tenho um quarto, meu irmão também, fotos, livros, uma mesa de jantar, e o mais importante o cheiro da minha mãe – a essência da minha família. Foi naquela casa que cai da escada, que eu e meus irmãos jogamos ludo, war, banco imobiliário, eles me ensinaram a jogar videogame e ping-pong. Nossa, a mamãe ficava louca quando a gente jogava ping-pong. Foi o lugar onde meus sobrinhos cresceram, é onde realmente me sinto em casa! Essa casa foi transformada para abrigar uma família que cresceu com o tempo: eu, mamãe, papai, Fabiam, Rhober e Simone e depois os sobrinhos/netos e hoje só tem minha mãe e muito espaço. A decisão de vender é sábia, mas sacode uma história da qual tenho imenso carinho! Mas isso é ser gente grande – não olhar pra trás. As idas à Manaus não serão mais as mesmas.
Engoli o choro como nos tempos de criança e continuei a conversa...
- Poxa mãe, fiquei surpresa.
- Calma, não vai ser já.
- Eu sei, mas é difícil.
- Bem, é o melhor a fazer mesmo!
- O mano já sabe?
- Sim, conversei com ele.
- Tudo bem. Preciso desligar mãe? Beijo e te amo ta?!
- Te amo também. Fica com Deus.