sábado, 22 de setembro de 2007

Sem perder a emoção


Adoro receber convites para ir ao cinema. Antes de fazer terapia, costumava dizer que cinema era minha “válvula de escape”, e não deixa de ser até hoje. Nesta sexta-feira (21), recebi logo cedo um e-mail convite da minha amiga Manu com três opções de filmes. O primeiro “Bem-vindo a São Paulo”, o outro “Maria Bethânia – pedrinha de aruanda” e o terceiro “Mujeres Infieles” – em cartaz no Ciclo do Cinema Chileno.

Chegamos atrasadas (claro!) e corremos para assistir “Bem-vindo a São Paulo”. Confesso que tinha outra idéia do filme, com mais movimento e histórias que retratassem a vida corrida e individualista da cidade mais importante da América Latina – correspondente a 15% do Produto Interno Bruto (PIB), o que a torna a metrópole mais populosa do Brasil e a terceira do mundo depois de Tóquio e Cidade do México. Não foi bem assim. O filme mostra o lado triste daquela cidade, a solidão. Mas não é do filme que quero falar. Na verdade, foi uma desculpa para dizer o quanto lembranças boas o filme me trouxe.

Poucos sabem, mas meu pai é do interior paulista, Mirassol e cresceu na cidade vizinha São José do Rio Preto, cerca de 450 quilômetros da capital. Com três meses de idade eu viajei pela primeira vez a São Paulo, onde todos queriam conhecer o novo rebento da família Marques. Retornei com um ano de idade para ser batizada na Igreja S. Judas Tadeu e tive como padrinhos: tio Rubens (irmão do meu pai) e avó Amália (mãe do meu pai). a partir daí, eu e a família passamos as férias dos anos seguintes em São Paulo, o que aconteceu até meus 12 anos.

Pois bem, uma das melhores lembranças dessas viagens é o meu pai tocando e toda família cantando Trem das Onze (1964). E você deve estar se perguntando – O que isso tem a ver com o filme? Na narrativa, os paulistanos elegeram duas músicas que retratam a cidade: uma é “Sampa”, de Caetano Veloso e “Três das Onze”, de Adoniran Barbosa.

Definitivamente, o cinema e São Paulo mexem com as minhas emoções. Mesmo quando a sala é ruim, mesmo quando o preço é um abuso, mesmo quando o filme não corresponde às expectativas… Mesmo quando eu nem pensava em ir, como nesta sexta-feira, o cinema me chama e eu vou. Já Sampa, todas as vezes que visito aquela cidade vem à tona muito sentimento, em geral ligado a coisas mais primárias, que são a família e as primeiras experiências emocionais.

A música
Por ironia do destino, através da interpretação dos Demônios da Garoa, a música Trem das Onze (paulistaníssima) venceu o concurso de músicas carnavalescas no quarto centenário da fundação do Rio de Janeiro.
Fuçando o site www.estacoesferroviarias.com.br, achei que a Estação do Jaçanã foi aberta em 1910, próxima ao Asilo dos Inválidos, no Guapira, aliás o nome original da estação. É a mais famosa das estações da Cantareira, pois foi a inspiração para a música Trem das Onze. Trem que, aliás, nunca existiu, pois o último trem saía às 20h30. A estação foi desativada em 1965, com o ramal, e foi demolida no ano seguinte. Hoje nada indica que ali um dia existiram trilhos ou uma estação. Ficava onde hoje está localizada a praça Comendador Alberto de Souza.

O Filme
Bem-Vindo a São Paulo é uma produção da Mostra Internacional de Cinema em forma de criação coletiva, com assinatura dos seguintes cineastas internacionais convidados para o projeto: Phillip Noyce, Mika Kaurismäki, Jim McBride, Hanna Elias, Maria de Medeiros, Kiju Yoshida, Mariko Okada, Tsai Ming Liang, Ash, Mercedes Moncada, Franco de Pena, Andrea Vecchiato, Max Lemcke, Amos Gitai, Daniela Thomas e Wolfgang Becker. O filme é narrado por Caetano Veloso e tem trilha musical assinada por André Abujamra.

Trem das Onze
Não posso ficar nem mais um minuto com você
Sinto muito amor, mas não pode ser
Moro em Jaçanã
Se eu perder esse trem
Que sai agora às onze horas
Só amanhã de manhã
Além disso mulher, tem outra coisa
Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar
Sou filho único, tenho minha casa prá olhar
Não posso ficar, não posso ficar...
Não posso ficar nem mais um minuto com você
Sinto muito amor, mas não pode ser
Moro em Jaçanã
Se eu perder esse trem
Que sai agora às onze horas
Só amanhã de manhã
Além disso mulher, tem outra coisa
Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar
Sou filho único, tenho minha casa prá olhar
Não posso ficar, não posso ficar...

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Shiii não conte pra ninguém...


O projeto Teste de Audiência abriu nova temporada nesta terça feira (18) – conforme post de ontem – com a exibição do documentário Os Filhos do João, dirigido por Henrique Dantas. A iniciativa antecipa para o público brasiliense filmes nacionais que serão lançados em circuito comercial. Eu fui lá conferir com a minha amiga Ciléia Pontes. Assinamos uma espécie de Termo de Compromisso onde afirmamos não publicar nenhuma impressão a respeito. Portanto, sinto muito pessoal, pois terão que esperar chegar no cinema (viu, Chico?!). Quem quiser assistir o próximo filme (à definir), a data é 23 de outubro. Pode deixar que aviso vocês!

Os Filhos de João se concentra em um dos períodos mais férteis da música brasileira, entre as décadas de 60 e 70. Neste período, João Gilberto, começou a conviver com os Novos Baianos e passou a ser uma espécie de guru do grupo. O trabalho conta com depoimentos dos integrantes do Novos Baianos - Moraes Moreira, Galvão, Baby do Brasil, Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor, Dadi, Jorginho Gomes, Gato Félix, Bola Moraes e Charles Negrita - e de nomes como Tom Zé e Armandinho.

O que é?

Teste de Audiência é um projeto que exibe, uma vez por mês, um filme brasileiro da nova safra, ainda em fase de finalização. A exibição é aberta e a platéia ajuda a equipe de produção a definir as estratégias de lançamentos mais adequadas. A Data UnB, empresa de pesquisa de opinião ligada à Universidade de Brasília, tabulou um questionário, que é respondido pelo público, formado por leigos e especialistas no assunto.

Por que aqui?

Brasília foi escolhida graças à quantidade de cinéfilos que vivem na capital, e a importância do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O mercado local apresenta excelentes resultados de vários índices, como venda total de ingressos, ocupação de poltronas, habitantes por sala, freqüência por espectador, etc.

Fica aqui o registro e a dica para apreciadores do cinema nacional.


terça-feira, 18 de setembro de 2007

Novos Bahianos

O filme Os filhos de João, dirigido pelo cineasta Henrique Dantas, passará pelo crivo do público brasiliense antes de entrar em circuito comercial. A exibição é nesta terça-feira (18), às 19h30, pelo projeto Tese de Audiência, no Teatro da Caixa (Setor Bancário Sul).

O filme relembra a trajetória do grupo Novos Bahianos e do músico João Gilberto, inspirador da tupre. Ah galerinha, a entrada é franca.

Eu vou lá conferir!

domingo, 2 de setembro de 2007


Bem, aceitei o desafio da minha amiga Ciléia e este post é dedicado a sete fatos da minha vida:

1 . Tenho muita saudade da época de criança. Chegar da escola, almoçar e dormir. Naquela época só os pais mandavam na gente, agora são as contas, bancos (...);

2. Sou movida a música. Ao acordar, durante o banho, de noite quando chego do trabalho, a qualquer hora!

3. Não tenho paciência para pessoas carentes, grudentas, melosas, dramáticas, problemáticas que dificultam a vida. Tudo bem, cada um tem seus momentos de crise, mas peraí, vamos manerar porque a vida já tem problemas reais e não tem espaço para os imaginários. Vamos ser felizes, ou então fica em casa trancado, como eu faço, rs;

4. São poucas as noites que durmo direto, sem acordar no meio da madrugada. Ah, e sempre com uma garrafa d'água ao lado, costume de criança que se consolidou em Brasília (maldita seca);

5 . Não gosto de gente "eclética" musicalmente falando. Não acredito nisso. "É uma questão de fé", né Chicote?!

6. Tenho exercitado dizer "não" às pessoas que gosto. Isso não quer dizer que deixei de apreciá-las ou algo parecido - questão de sobrevivência.

7. O última fato deixei para um registro familiar: Só o alô da minha mãe ao telefone já me tranquiliza.

Não vou passar adiante, porque não gosto de correntes. A corrente funcionaria da seguinte forma: escreva 7 fatos sobre a sua vida. Fique a vontade!